quarta-feira, 6 de abril de 2011
segunda-feira, 14 de março de 2011
Algo está errado...
“(...) E aquelas pessoas em Kilowaia, Havaí, que constroem suas casas ao lado de um vulcão ativo e aí se perguntam por que tem lava na sala de estar.”
-George Carlin-
Na última sexta-feira (11/03/11), o mundo presenciou o 7º terremoto mais forte da história da humanidade e o pior tsunami da história do Japão. Esses grandes desastres naturais sempre me deixam com essa sensação de que alguma coisa está errada. Não falo apenas de terremotos, como os do Chile e do Haiti, mas também das chuvas, como no Rio de Janeiro, ou furacões como nos Estados Unidos, ou mesmo vulcões, como no Havaí, Japão e Islândia. Essas catástrofes nos mostram apenas o quão frágeis nós seres humanos podemos ser. Coisas assim nos tiram do pedestal em que costumamos nos enxergar, nos tiram do topo da cadeia alimentar e nos jogam debaixo de um monte de escombros. Mas nós, crédulos que somos, acabamos por culpar a Natureza, ou Deus, ou qualquer outro ser mais poderoso, real ou não, e nos esquecemos que fomos nós que nos colocamos em apuros.
Nós pensamos que somos capazes de viver em qualquer lugar do planeta e, em nossas maiores provas de arrogância, construímos muros e diques para segurar a água, prédios com sistemas amortecedores anti-terremotos, criamos lagos, secamos pântanos, retificamos rios e enterramos os córregos, tudo isso para “controlar” a natureza e submetê-la a nossas vontades. Em nossa soberba, fazemos da natureza nossa inimiga, quando esta deveria ser nossa aliada. Tiramos à força o que ela seria capaz de nos dar de bom grado.
Não foi assim por tanto tempo? Não vivemos harmoniosamente por milhares de anos? Não digo que devemos voltar a ser nômades, mas o planeta é muito maior do que toda a humanidade, a natureza é maior, e se é assim, como nós conseguimos causar tanto estrago? É como se fossemos um único formigueiro, capaz de pôr abaixo toda uma cidade, a ponto de não conseguirmos mais sobreviver nela. Nós nos gabamos de ser a única espécie capaz de raciocinar, e mesmo assim somos os seres vivos mais ignorantes da face da Terra, somos os únicos tolos o suficiente para destruir o próprio habitat.
Mas o que mais me intriga em toda essa história de humanos versus natureza, são os ambientalistas nos dizendo o que fazer para “salvar o planeta”. Nós não sabemos cuidar de nós mesmos, como podemos salvar o planeta! (mais uma do George Carlin). Na verdade, o planeta já passou por coisas muito piores que a humanidade e deve superar mais esse probleminha, aliás, se há alguém precisando ser salvo é o Homo sapiens. A natureza pode se recuperar facilmente, já fez isso antes dezenas de vezes. Nós, porém, se não mudarmos de atitude rapidamente, seremos sumariamente eliminados, como são todas as espécies incapazes de sobreviver em seu habitat. Seremos apenas mais um na enorme lista de seres extintos, só mais um beco sem saída evolutivo.
No entanto, nós ainda temos uma saída. Basta descer do nosso pedestal e passar a trabalhar junto com a natureza. As soluções existem. Fontes de energia renováveis, carros elétricos, cultivo inteligente, agricultura orgânica, “green building”... Tudo isso está ao nosso alcance. Basta repensar nossa posição, reprojetar nosso modo de vida e refazer nossas atitudes, afim de uma existência pacífica e harmoniosa.
P.S.: Acho que eu vou fazer de “Algo está errado...” um meme periódico, escrevendo sempre que perceber algum problema.
terça-feira, 1 de março de 2011
Arquitetura mãe das Artes
Para mim, a primeira e primordial arquitetura é a geografia
-Paulo Mendes da Rocha-
Música;
Dança;
Pintura;
Escultura;
Teatro;
Literatura;
Cinema.
Essas foram as sete artes escolhidas por Riccioto Canudo ao escrever seu famoso “Manifesto das Sete Artes”, em 1911. Mas... Cadê a arquitetura, hein senhor Canudo?
Quando estudamos história da arte, aprendemos que a primeira manifestação artística a que podemos nos referir são as pinturas rupestres, em paredes de cavernas, as mais antigas datando do período paleolítico, ou seja, mais de 10000 a.C., quando não havia nem ao menos o Homo sapiens. Foi nesse período que o homem começou a morar em cavernas e, na minha humilde opinião, foi quando surgiu a arquitetura.
Muitos dirão que nessa época os homens ainda não construíam de fato, portanto não faziam arquitetura. Mas eu penso que a arquitetura surge quando o homem tentou pela primeira vez resolver seu segundo maior problema (sendo o primeiro a alimentação): o problema do abrigo. Começamos a morar em cavernas quando a última era do gelo assolou o planeta e este se tornou um lugar bastante inóspito para a maioria dos mamíferos. Dessa forma poderíamos dizer que a arquitetura foi a primeira arte que o ser humano foi capaz de fazer. Depois do degelo, começamos a realmente construir nossas casas, começando pelos primitivos dolmens e em poucos milhares de anos atingimos a capacidade construtiva que temos hoje.
Talvez o senhor Canudo tenha excluído a arquitetura de suas sete artes devido a um conceito de arte bastante aceito – que diz que arte é algo com suporte material feito para comunicar algo. Bem, nesse caso a arquitetura está realmente fora.
Pensando por esse lado, a arquitetura realmente não procura passar mensagens ou comunicar algo, mas sim resolver o nosso problema de dar abrigo. E dar abrigo não apenas a nós mesmos, mas também a tudo aquilo que criamos, dar abrigo a todas as outras artes. Assim sendo, construímos lugares para se ouvir e fazer Música, lugares para se apreciar e criar a Dança, belos museus para abrigar a Pintura e a Escultura, magníficos Teatros, enormes bibliotecas para amparar a Literatura e magníficas salas para consagrar o Cinema.
Digo “Arquitetura mãe das artes”, pois todas essas sete artes surgiram imersas na arquitetura. Foi nas cavernas onde surgiu a música, a dança, a pintura e a escultura, foi na polis grega que se consolidaram o teatro e a literatura e foi na moderna Paris que surgiu o cinema.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Repensando em um conceito de arquitetura, foi possível chegar em uma valiosa comparação.
O mundo está subdivido humanas, exatas, biológicas e assim somos julgados profissionalmente. Então lembrei da época do cursinho onde havia uma sala específica para pessoas destinadas à arquitetura, não fazia parte apenas de uma divisão, mas ao perguntar para muitas pessoas cheguei a conclusão que fosse uma área mista de humanas e exatas. Assim comecei a refletir uma justificativa para cada uma dessas áreas.
Humanas porque a arquitetura é aquela que abriga à todos, acolhe e nos acomoda, assim como a exatas está fortemente presente na estrutura do projeto e em todos seus cálculos necessários para deixá-la em pé...Mas indo um pouco além na área de humanas, refleti a arquitetura e seu projeto como uma pessoa, possui várias faces( fachadas), vários pontos de vistas, um sentimento a ser passado para aqueles que trajetam sua vida. Assim como uma criança, com seus pequenos ossinhos (estrutura) e seu corpo (revestimento e acabamentos) é lançado em um mundo onde não sabe o que vai acontecer(implantação). Quando possui uma má formação, agride sua saúde (cai ou é necessário sempre ter reparos e cuidados especiais). Começando a enfrentar o mundo ao seu redor nascem as primeiras marcas de dor, como o rancor a mágoa( rachaduras). Com o passar do tempo, muitas pessoas entram e saem de nossas vidas e algumas ficam por mais tempo, como em um prédio de serviços onde os clientes entram e saem enquanto os funcionários permanecem por um tempo maior, sendo que todos se relacionam de alguma forma com o prédio.
Ao envelhecer é considerado como mais um prédio em uma cidade, como a grande São Paulo, assim como muitos idosos são deixados como apenas mais uma pessoa de terceira idade no mundo para ser paga com sua aposentadoria, mas que não presta mais serviços como antes por ter a saúde frágil (a estrutura de um prédio que não é eterna e se não houver reparos é isolada). E em um momento já está tão ultrapassada com as novas tecnologias que já não podem reparar esse prédio por não haver mais o mesmo material e estar desativado, apenas ocupando espaço é demolido para se fazer um novo prédio com todas as tecnologias, como um idoso que chega ao seu fim e ao morrer aqueles que não eram tão próximos o esquecem...Um prédio senão for famoso como grandes artistas e outras pessoas famosas não ficam marcadas no mundo.
Assim com essa comparação, percebi que papel do arquiteto não é apenas projetar um imóvel e nem para deixar seu nome famoso, mas sim o de tentar eternizar outra "pessoa", como verdadeiros pais, que se preocupam com a formação do filho e que antes de deixar enfrentar o mundo, o prepara para não haver muitas rachaduras ou machucados profundos que ao se machucar não basta o revestimento para curar.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Repensar
Repense o autoconhecimento e a busca pela espiritualidade
Repense os formatos das famílias e os estilos de vida
Repense as crianças, os jovens e a terceira idade
Repense o high tech e o high touch
Repense o fashion e o casual
Repense a alta e a baixa renda
Repense a gestão e o novo executivo
Repense as grandes e as pequenas cidades
Repense a influência da China, da Índia e da globalização
Repense o resgate da ética e das bases da filosofia
Repense a sustentabilidade
Repense o trabalho e a qualidade de vida
Repense o entretenimento e a cultura
Repense os novos e antigos padrões estéticos
Repense a diversidade e o preconceito
Repense as tribos e as comunidades
Repense a tecnologia e a conectividade ao alcance de todos
Repense o consumidor
Repense o indivíduo
Repense.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Alguns Porquês
Bem vindos ao blog Repensar! Este, como primeiro post do blog deve esclarecer algumas coisas a seu respeito (e a meu respeito também). Na verdade, essa é a primeira vez que eu escrevo para um blog. Na verdade, é a primeira vez que eu escrevo algo para publicar, então eu vou tentar não ser muito prolixo e não me demorar muito.
Acho que eu devia começar dizendo algo sobre mim. Sou estudante de arquitetura, atualmente no terceiro semestre, tenho dezenove anos e ainda não sei dirigir hehe. Pra mim, escrever costumava ser uma simples obrigação escolar, mas, após alguns incentivos e referências acertadas, passou a ser um meio de desabafo, de colocar os pensamentos em ordem, de expressar paixões secretas e sentimentos ocultos. É claro que esses textos sempre ficavam restritos ao pequeno círculo entre meu ego e minha mente e, na pior das hipóteses, vazavam a um ou dois confidentes...
Bem, a idéia de criar um blog vem me atormentando a cerca de um ano, desde que eu entrei na faculdade. Minha primeira idéia era apenas comentar projetos de que eu gostasse. Foi necessário pouco tempo estudando arquitetura para que eu percebesse que isso não bastaria para o meu ego arquitetônico. Comecei a pensar em publicar também os projetos dos meus colegas de sala. Agora, com dois semestres de arquitetura na cabeça, criatividade a mil, e quase um ano desenvolvendo essa idéia, cheguei num modelo bem mais complexo do que eu mesmo gostaria. Pretendo escrever aqui sobre projetos interessantes, projetos famosos, projetos premiados, projetos ruins, projetos desconhecidos e projetos dos meus colegas, quero também escrever sobre minhas expectativas quanto à arquitetura como faculdade e como profissão, devo também expor minhas opiniões sobre a “técnica principal”, a “arte da universalidade”, que esbarra em tantos ramos do pensamento humano quantos pudermos contar, das artes plásticas à medicina, da filosofia à engenharia, da culinária à dança.
A minha demora em começar o blog não foi só por causa da idéia: eu precisava de um nome! Eu imagino que dar nome seja a pior parte de criar algo. Claro que idéias não faltavam, “ars_universalis”, já existe, “arkhe”, feio demais... “arquitetura_musica_petrificada”, longo demais... “firmitas_utilitas_venustas”, latim demais... “tríade”, cristão demais...
Por mais ou menos seis meses eu pesquisei definições de arquitetura na internet e em livros, fui de Goethe a Vitruvius sem encontrar nada que satisfizesse meu frágil senso de estética. A resposta, porém, me veio do lugar mais inusitado: uma pichação. Na verdade um grafite. Foi totalmente por acaso, nesse dia meu pai estava fazendo caminhos diferentes para evitar o trânsito causado pela chuva, o que foi totalmente em vão. Eu já estava profundamente irritado com tudo aquilo quando vi aquela casa. O grafite cobria toda a fachada da casa e se tratava de uma poesia, da qual tratarei em outro post, para este basta dizer que o grafite se chamava “Repensar”.
Naquele instante, preso no engarrafamento, cercado por carros, enxurrada e cidade, me veio a epifania, esse sentimento de que algo está profundamente errado com a forma que vivemos, de que algo precisa ser urgentemente repensado, cuidadosamente reprojetado e rapidamente refeito. De agora em diante, esse se tornarão os meus 3 R’s: repensar, reprojetar e refazer.
P.s.: Chamar aquele grafite de poesia é lirismo. Só pra parecer mais bonito hehe...
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